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| FOTO André Durão / globoesporte.com |
Com muita tristeza que vejo cenas
de guerrilha impetrada por verdadeiros marginais que se travestem de torcedores
após a vitória do Flamengo por 1 a 0, sobre o Vasco da Gama, em São Januário,
em jogo válido pela décima segunda rodada do Campeonato Brasileiro.
Antes mesmo
do apito final, do árbitro Anderson Daronco, objetos já eram atirados no
gramado. E após o trilar derradeiro, a violência entrou em cena e o futebol, que ficara esquecido por boa dos
99 minutos de disputada, passou a ser um simples pano de fundo.
É de se lamentar o que vimos essa
noite na Colina Histórica. É de se manchar toda história de tradição, politíca
e cordialidade que o Clube de Regatas Vasco da Gama criou ao longo dos seus 119
anos. Não posso tratar com parcimônia atos de violência, como depredação, bombas
atiradas sobre jogadores, imprensa, profissionais de segurança, gandulas,
enfim, quem estivesse no gramado.
Ataque gratuito a policiais militares que
deixaram a mercê ou ao Deus dará, o verdadeiro torcedor, que cantou,
incentivou, xingou o time e arbitragem durante o jogo.
São por essas atitudes que o
verdadeiro torcedor gasta um pouco mais com o pacote pay-per-view, prefere ir
no máximo a um bar próximo de casa, faz tudo aquilo que gostaria de fazer no
sofá de casa.
É de se lamentar o que estão fazendo com o futebol. Um dia esse
esporte já foi do povo, hoje as arquibancadas estão entregues a facções que se
intitulam organizadas, quando na verdade são organizações criminosas
organizadas. Aqueles que organizavam festas, shows com bandeiras, cânticos de incentivos,
se transformaram em sua maioria, em criminosos, que depredam o patrimônio do clube
o qual torce, ataque adversários, o transformando em inimigos.
Para falar um pouco do jogo,
muito fraco tecnicamente. Vasco e Flamengo foi um jogo de muito contato, muita
disputa e pouquíssima inspiração. Um primeiro tempo onde as faltas e a ausência
de finalizações deram o ar da graça. Já no segundo tempo, o Flamengo voltou um
pouco melhor. E num lampejo de inspiração, de classe e categoria, Éverton
Ribeiro fez belíssima jogada pela ponta direita e cruzou na medida para o xará
Éverton, fazer o gol da vitória rubro-negra, aos 18 minutos do segundo tempo.
Aliás, esse resultado não acontecia em São Januário desde 1973, último ano que
o Flamengo havia vencido na Colina.
Por mais que eu tente analisar um
lado ou outro, as cenas de brutalidade e discrepância social volta a minha
mente. E a cena dos torcedores desesperados querendo fugir saltando dentro das
cabines de rádio? Gente, o que é isso? Onde vamos parar? Existe limites para
tanta imbecilidade? O placar de derrota para o rival é capaz de transformar
tanta fúria assim? Gente, o que é isso?
Que medidas cautelares sejam
severas ao clube, a diretoria. Que autoridades repensem a liberação do Estádio
para jogos que grande porte. Na quinta-feira, o STJD julgará no Pleno, o caso
de violência semelhante, no jogo contra o Corínthians, ainda no início do
torneio. Então só mostra que o caso é recorrente. Que o martelo do juiz seja
pesado. Infelizmente vascaíno, o único que tem a perder é o próprio clube.