quarta-feira, 24 de maio de 2017

VALORIZAR MELHOR NOSSOS TALENTOS

FOTO: UOL Esporte
O que vale mais no mercado. Um jogador em formação com 16 anos que sequer sabemos o que será dele daqui para frente, ou um atleta, de 20 anos, que já experimentou jogar uma série B, onde se destacou, deu conta do recado, no Sulamericano Sub-20, apesar da desclassificação do Brasil e a não ida ao mundial da categoria.

Falo mais precisamente de Richarlison, do Fluminense. Um atleta promissor que despontou no América-MG e que agora no Fluminense vem fazendo um ótimo início de temporada. No campeonato Carioca brigou pela artilharia do Carioca contra o tarimbado e badalado Guerrero e que mantem a mesma pegada nessa abertura de Campeonato Brasileiro.

E o porquê que estou lançando essa comparação? Por diversos aspectos. Primeiro por achar astronômico o valor que o Flamengo negociou Vinicius Júnior. Bom para o Flamengo? Sim, bom. Bom para o futebol brasileiro? Só o futuro dirá. E porque bons jogadores, como o atacante Richarlison e Felipe Vizeu não foram tão supervalorizados assim? Faltou mídia? Não.

Não faltou mídia, mas faltou a nós, jornalistas, olharmos com mais carinho ao futebol que alguns atletas praticam em campos tupiniquim. E o Richarlison é desses jogadores que poucos badalamos, porém tem uma importância tática enorme ao Fluminense de hoje, o Fluzão de Abel Braga.

Hoje, o camisa 70 é a grande válvula de propulsão do time do Fluminense. Defende e ataque com a mesma volúpia, recompondo bem o sistema defensivo tricolor. E quando ataca é uma dor de cabeça constante a defesa adversária. Bom finalizador, tem presença de área e faro de artilheiro. Como todo atleta de 20 anos tem muito a evoluir na carreira. Mas, que na prática vem exercendo um papel fundamental, que dificilmente perde vaga no atual time titular do Fluminense. E mostrou isso nos dois primeiros jogos do Brasileirão, principalmente contra o Atlético-MG, onde deixou o dele no Estádio Independência, onde se sente em casa.

E na seleção Sub-20 vi um Richarlison atuando bem e de forma diferente com a qual joga no tricolor carioca. Ali, no time comandado pelo Rogério Micalli (na época treinador da Selação e demitido após o fracasso pela não classificação ao mundial) via o Richarlison com menos responsabilidade de marcação, porém responsável, muito das vezes pelo último passo e quando não o fazia, era ele quem estava lá para finalizar.

Por isso que o mercado brasileiro é um oásis ao mercado europeu. Aqui nós formamos bem o atleta, o que pecamos é na formação do homem. Aqui vimos vários talentos totalmente desperdiçados, porque os jovens jogadores não fazem com a cabeça na vida social (negócios, entrevistas, investimentos) que fazem com a bola nos pés. E nossos dirigentes pouco valorizam a pessoa. Pensam no quanto possam valer e lucram especificamente no que ele produz em campo e pouco no que eles produzem ou deixam de produzir na vida social. Se nosso material humano fosse preparado como um todo teríamos um mercado muito melhor na venda desses garotos.

Por isso que antes de qualquer investimento procuram saber a base familiar do garoto, as condições com a qual ele foi criado. Daí visam o condicionamento físico, documentação, virtudes como jogador.

Poderia e futuramente vou falar de outros garotos que poucas vezes vamos ver atuar aqui no Brasil por conta do talento. Douglas, do Vasco, Igor Rabelo, do Botafogo, Wendel, também do Fluminense, Felipe Vizeu, do Flamengo. E tomaram que dirigentes de tais clubes saibam aproveitar bem seus talentos e que deem alegrias as suas torcidas.


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