terça-feira, 13 de junho de 2017

VINTE E POUCOS ANOS.

A negociação que envolvia Palmeiras, Fluminense e Richarlison tomou proporções inimagináveis e contornos complicados para o jogador dentro do clube. Uma proposta tentadora, um pedido, uma negação, um desabafo e o clímax longe de ser o confortável para todos. Esses capítulos foram escritos em menos de uma semana. Uma minissérie que pode se arrastar daqui para frente.

Quando o Repórter Breno Monsef, da Rádio Transamérica, noticiou no Programa Arena Transamérica, em primeira mão, que o Palmeiras fez uma proposta milionária para contar com o jovem atacante de 20 anos, a diretoria do Fluminense logo se manifestou de forma irritadiça com a informação e no dia seguinte foi a TV, através do Presidente Pedro Abade, rechaçar qualquer hipótese de negociação com certa veemência que por momentos beirou ao descontrole.

Por parte do Palmeiras creio que foi infeliz o envio de uma proposta, nessas cifras, às vésperas do jogo contra o próprio Fluminense. Faltou, no mínimo sensibilidade, ou foi feito de forma que desestabilizasse o tricolor. Com os valores tentadores faltou maleabilidade dos agentes do jogador, em conduzir o atleta ao distanciamento da proposta. Esse distanciamento se faz necessário, quando o jogador tem que pensar em fazer o principal papel, que é jogar bola.

Óbvio, que qualquer pessoa, se visse próximo a ganhar uma boa porcentagem num negócio de aproximadamente R$ 45 milhões, balança. Ou você que está lendo agora não gostaria de acertar sozinho uma Mega Sena acumulada? E imagina você com 20 anos de idade?

Faço essa comparação porque essa situação pesa para qualquer um, independentemente de raça, credo, classe social. É que no Futebol, a naturalidade que nós tratamos essas cifras fazem transparecer que qualquer negociação, que gire, sei lá, R$ 1 milhão, faça parecer um valor ínfimo. Agora R$ 45 Milhões balança qualquer um.

E antes de qualquer atitude intempestiva por parte dos dirigentes do Fluminense, até eles mesmo balançaram diante da bagatela. O Clube iria lucrar um pouco acima dos 100% investidos no jogador, desafogaria as finanças nesse ano e ainda poderia ir ao mercado em busca de bons reforços. Ou até, quem sabe, receber bons jogadores do vasto elenco palmeirense. E por que isso não foi a frente?

Porque tudo isso foi malconduzido pelas três partes (Fluminense, staff do jogador e Palmeiras). Informação vazada às vésperas do jogo, atleta desconfortável em entrar em campo e ser taxado disso ou daquilo, clube se dizendo insatisfeito pela conduta do jogador, quando, na minha visão, foi o próprio clube que expos o “seu produto”.  O atleta diz que conversou com o treinador e por conta dessa bulha toda pediu para ficar de fora. Com uma sensibilidade monstro, Abel entendeu toda a situação e como bom comandante que é, o deixou de fora. Já alguns dirigentes ficaram revoltados porque o jogador não embarcou com elenco. Cabe punição? Os mais exaltados diriam que sim. Outros menos, diriam que não. Eu, não o puniria.

Veio o jogo, a derrota por 3 a 1 para o Palmeiras, o retorno ao Rio e reinicio de trabalho. Daí veio a maior bola fora. O depoimento, em rede social, com intuito de preservar o jogador, segundo o próprio staff do atleta. Ali foi tiro no pé.

Mais uma vez, o jogador, produto final da história, estava mais uma vez exposto ao público. E amigos, cá entre nós, quando se critica “a imprensa”, “ a mídia”, neguinho cai de madeirada em cima. E foi o que aconteceu.

O torcedor, que sempre age pela emoção, vai esquecer aqui que o Richarlison é o vice artilheiro do time na temporada, com 11 gols em 25 jogos. Que no campeonato Carioca foi o terceiro maior artilheiro ficando atrás do Badalado Guerrero e do experiente Adriano, o Batalhador. Que o Richarlison é um jogador em franco crescimento técnico e profissional. Com Abel Braga vem desempenhando uma função que agrada muito. Recompondo com eficiência, chegando com força no ataque, bom finalizador. E o Fluminense com ele em campo tende a crescer muito dentro do campeonato. Hoje é peça importantíssima no elenco. Por todos esses pontos positivos vejo que o garoto merece crédito.

E agora, por outro lado, vamos ver se o jogador deixará de ser menino para ser homem. Tem que encarar toda essa situação criada de frente. Nãos e refutar a dar entrevistas, respeitar as críticas vindas das arquibancadas a cada erro simples. Se superar. Porque só superando tudo isso ele vai se mostrar um profissional pronto para vencer. E eu volto Lembrar: Ele só tem 20 anos de idade.


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