A negociação que envolvia
Palmeiras, Fluminense e Richarlison tomou proporções inimagináveis e contornos
complicados para o jogador dentro do clube. Uma proposta tentadora, um pedido,
uma negação, um desabafo e o clímax longe de ser o confortável para todos.
Esses capítulos foram escritos em menos de uma semana. Uma minissérie que pode
se arrastar daqui para frente.
Quando o Repórter Breno Monsef,
da Rádio Transamérica, noticiou no Programa Arena Transamérica, em primeira
mão, que o Palmeiras fez uma proposta milionária para contar com o jovem
atacante de 20 anos, a diretoria do Fluminense logo se manifestou de forma irritadiça
com a informação e no dia seguinte foi a TV, através do Presidente Pedro Abade,
rechaçar qualquer hipótese de negociação com certa veemência que por momentos
beirou ao descontrole.
Por parte do Palmeiras creio que
foi infeliz o envio de uma proposta, nessas cifras, às vésperas do jogo contra
o próprio Fluminense. Faltou, no mínimo sensibilidade, ou foi feito de forma
que desestabilizasse o tricolor. Com os valores tentadores faltou maleabilidade
dos agentes do jogador, em conduzir o atleta ao distanciamento da proposta. Esse
distanciamento se faz necessário, quando o jogador tem que pensar em fazer o
principal papel, que é jogar bola.
Óbvio, que qualquer pessoa, se
visse próximo a ganhar uma boa porcentagem num negócio de aproximadamente R$ 45
milhões, balança. Ou você que está lendo agora não gostaria de acertar sozinho
uma Mega Sena acumulada? E imagina você com 20 anos de idade?
Faço essa comparação porque essa
situação pesa para qualquer um, independentemente de raça, credo, classe
social. É que no Futebol, a naturalidade que nós tratamos essas cifras fazem
transparecer que qualquer negociação, que gire, sei lá, R$ 1 milhão, faça
parecer um valor ínfimo. Agora R$ 45 Milhões balança qualquer um.
E antes de qualquer atitude
intempestiva por parte dos dirigentes do Fluminense, até eles mesmo balançaram
diante da bagatela. O Clube iria lucrar um pouco acima dos 100% investidos no
jogador, desafogaria as finanças nesse ano e ainda poderia ir ao mercado em
busca de bons reforços. Ou até, quem sabe, receber bons jogadores do vasto
elenco palmeirense. E por que isso não foi a frente?
Porque tudo isso foi malconduzido
pelas três partes (Fluminense, staff do jogador e Palmeiras). Informação vazada
às vésperas do jogo, atleta desconfortável em entrar em campo e ser taxado
disso ou daquilo, clube se dizendo insatisfeito pela conduta do jogador,
quando, na minha visão, foi o próprio clube que expos o “seu produto”. O atleta diz que conversou com o treinador e
por conta dessa bulha toda pediu para ficar de fora. Com uma sensibilidade
monstro, Abel entendeu toda a situação e como bom comandante que é, o deixou de
fora. Já alguns dirigentes ficaram revoltados porque o jogador não embarcou com
elenco. Cabe punição? Os mais exaltados diriam que sim. Outros menos, diriam
que não. Eu, não o puniria.
Veio o jogo, a derrota por 3 a 1
para o Palmeiras, o retorno ao Rio e reinicio de trabalho. Daí veio a maior
bola fora. O depoimento, em rede social, com intuito de preservar o jogador,
segundo o próprio staff do atleta. Ali foi tiro no pé.
Mais uma vez, o jogador, produto
final da história, estava mais uma vez exposto ao público. E amigos, cá entre
nós, quando se critica “a imprensa”, “ a mídia”, neguinho cai de madeirada em
cima. E foi o que aconteceu.
O torcedor, que sempre age pela
emoção, vai esquecer aqui que o Richarlison é o vice artilheiro do time na
temporada, com 11 gols em 25 jogos. Que no campeonato Carioca foi o terceiro
maior artilheiro ficando atrás do Badalado Guerrero e do experiente Adriano, o
Batalhador. Que o Richarlison é um jogador em franco crescimento técnico e
profissional. Com Abel Braga vem desempenhando uma função que agrada muito.
Recompondo com eficiência, chegando com força no ataque, bom finalizador. E o
Fluminense com ele em campo tende a crescer muito dentro do campeonato. Hoje é
peça importantíssima no elenco. Por todos esses pontos positivos vejo que o
garoto merece crédito.
E agora, por outro lado, vamos
ver se o jogador deixará de ser menino para ser homem. Tem que encarar toda
essa situação criada de frente. Nãos e refutar a dar entrevistas, respeitar as
críticas vindas das arquibancadas a cada erro simples. Se superar. Porque só
superando tudo isso ele vai se mostrar um profissional pronto para vencer. E eu
volto Lembrar: Ele só tem 20 anos de idade.







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